sábado, 11 de abril de 2015

Os Polders da Holanda


A Holanda é famosa por sua política de tolerância às drogas, por ter legalizado a prostituição e por ter parte do seu território abaixo do nível do mar. Claro que existem dezenas de outras coisas interessantes na Holanda, mas para quem curte Recursos Hídricos, os Poldersholandeses são a primeira coisa que se vem à mente quando se fala nesse país.



Esquema do Funcionamento de 2 Polders fluviais

Um polder é uma porção de terreno baixo e plano construído de forma artificial, localizada entre aterros conhecidos como diques e, utilizado para a agricultura ou habitação. Nele, a drenagem das águas pluviais deve ser realizada por meio de canais com comportas e/ou bombas, a fim de impedir a subida excessiva da água no interior da área ensecada pelos diques. Essas estruturas estão entre as mais importantes técnicas clássicas da drenagem para controle de enchentes, utilizadas para proteger regiões baixas próximas a rios ou mares. Assim, regiões urbanas onde o rio antes extravasava, ou eram tomadas pelo mar, passam a estar “secas” para a ocupação humana.


holanda 2Holanda com as áreas de polders em laranja escuro.



O caso dos polders da Holanda é emblemático. A Holanda está localizada entre “Mar do Norte” e o delta dos cinco principais rios do Noroeste da Europa. Seu território é muito plano e baixo e cerca de um quarto de suas terras estão abaixo do nível do mar, o que só é possível por serem regiões protegida por polders. Por isso o nome NederLand “terra baixa”, ou Países Baixos.
Fonte: http://www.renewablesfirst.co.uk/hydro-learning-centre/archimedean-screw/

Esquema de uma bomba tipo parafuso de Arquimedes.

A construção dos polders holandeses teve inicio séculos atrás. O processo de edificação de umpolder era feito a partir da construção de diques em torno das áreas encharcadas para evitar a entrada de água do mar. Em seguida as poças de água eram “secas” por bombas tipo parafuso de Arquimedes, que eram antigamente acionadas por moinhos de vento.
Fonte: https://professorjamesonnig.wordpress.com/2012/11/20/a-construcaos-dos-polders-na-holanda/

Esquema do sistema de bombas para drenar a região do polder.


Estima-se que hoje haja mais de 3000 polders na Holanda, sendo alguns com grandes dimensões, maiores do que 50 mil hectares. Todos são monitorados com rigor para evitar o avanço do mar.



http://aquafluxus.com.br/?p=6245&utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+com%2Faquafluxus+%28Aquafluxus%29







sexta-feira, 10 de abril de 2015

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL






Dividido em três partes, descreve a trajetória histórica de ações educativas dentro do IPHAN, destacando documentos, iniciativas e projetos utilizados como estratégia de proteção e preservação do patrimônio sob sua responsabilidade.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Um breve aspecto da questão habitacional no Brasil


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As grandes cidades brasileiras, capitais dos estados do nosso país, são uma trama complexa de tecido urbano. É essa trama que manifesta as diferenças dentro da cidade, criando duas cidades: A cidade formal, desenhada e planejada, através do interesse econômico; e a cidade informal produzida pelas próprias pessoas sem infraestrutura urbana básica provida pelo Estado.

São essas duas cidades que compõe a imagem contrastante do horizonte. Duas cidades que ocupam espaços físicos tão próximos, mas com dinâmicas tão diversas.

Fazendo um breve recorte histórico, as favelas e vilas surgem quando a cidade têm uma série de mudanças espaciais que começa a dispersar não só o tecido urbano mas as pessoas pelo território. Isso ocorreu quando a revolução industrial separa o trabalho da habitação, surgindo assim o zoneamento por usos. Ao separar o trabalho da habitação, as distâncias começam a ampliar e o as classes antes todas num mesmo espaço se separam.

A questão é que o Estado não teve capacidade de gerir essa separação, principalmente na questão da habitação, visto que além de separar os usos, a população estava crescendo. Portanto fica a cargo das próprias pessoas ocuparem e produzirem a sua habitação. Essa habitação auto produzida começa a surgir nos espaços vazios da cidade, e a medida que tais espaços se tornam valorizados e adquirem interesse econômicas , são demolidas e deslocadas para áreas mais afastadas e de difícil acesso, onde não há interesse econômico: os morros e terrenos com alta declividade.

Hoje a questão é agravada pela metropolização do espaço que aumenta as distâncias ainda mais, o que gera uma perda de tempo e de qualidade de vida para quem vive nas favelas e periferias, já que seus trabalhos estão nas porções centrais das cidades. Gerando não só um problema habitacional, mas também de locomoção.
A questão habitacional deve ser resolvida, não somente pensando na produção de habitações de baixa qualidade, afastadas do centro, mas também na questão do tempo gasto de locomoção. Como é visto hoje, no programa “minha casa, minha vida” do governo federal, reproduz a lógica de produção habitacional de baixa qualidade, que altera a lógica espacial da favela.

Há duas formas de soluções que vejo para o problema. A primeira é no que se refere a favelas próximas às áreas centrais que ocorra um investimento em infra estrutura urbana básica: esgoto, água, energia elétrica, pensando na proteção dessas mesmas áreas que apresentam risco ambientais. Mas tendo em mente que ao se colocar toda essa infraestrutura, a população pobre deve pagar, já que agora tem acesso aos serviços básicos, e não mais aos chamados gatos de luz e água, que são as maneiras que essa população encontra para ter acesso a esses recursos.

Uma segunda alternativa no horizonte é a ocupação dos prédios vazios das áreas centrais, alocando as pessoas que morem nas periferias no centro, colocando-as próximas do trabalho e em áreas providas de infraestrutura urbana de qualidade, como parques, hospitais, cultura e educação. Ou ainda planejar as áreas urbanas tratando cada bairro como uma área que atenda as demandas por educação, saúde e lazer. E não mais reproduzir a solução modernista de construção de habitações afastadas, sem nenhum outro equipamento urbano.

No entanto devemos ter em mente que não podemos perder o que a favela proporciona de mais valioso no espaço urbano: as intimas relações com os moradores, onde todos se conhecem e as ruas transbordam vida. A questão é complexa e o horizonte indefinido.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Paulo Mendes da Rocha

REFERÊNCIAS DO MODERNISMO LOCAL
Os primeiros projetos de Mendes da Rocha de que se tem notícia revelam claramente as marcas do ambiente de sua formação. A capela que ele desenhou por volta de 1955 para o Jardim Virgínia, no Guarujá, litoral paulista, que pela síntese do sistema estrutural e configuração espacial antecipa o trabalho dos anos seguintes, revela, por exemplo, referências difusas entre os arquitetos da sua geração no Mackenzie. Em particular, parece ter lugar um diálogo com obras como o projeto da capela do Hospital do Jaçanã, de Eduardo Kneese de Mello, publicada no número 124/125 da Revista de Engenharia Mackenzie. Ainda a 1955 remonta o projeto, notável pela dialética estabelecida com o cenário natural, do Iate Clube Ponta da Enseada, que tem afinidades com uma série de casas de praia concebidas por Oswaldo Bratke, outra grande figura da cena contemporânea paulista.







A ênfase nas afinidades desses primeiros projetos com obras de outros arquitetos paulistas não parte da convicção de que simpatias individuais ou referências pessoais explicam a formação de um universo discursivo e figurativo. No entanto, o que esses projetos evidenciam é que, no primeiro momento, as referências para Mendes da Rocha foram as obras das principais figuras do modernismo local, no mais formadas pelo Mackenzie e com trabalhos publicados, sobretudo a partir do número 111/112, de 1952, na Revista de Engenharia Mackenzie. Naquele ano, alguns estudantes de arquitetura conquistaram seu espaço no periódico oficial de uma escola em que Christiano Stockler das Neves impunha um ensino de belas‑artes, fundamentado na harmonia e equilíbrio compositivos, baseado, é verdade, na eficaz preparação no campo técnico e estrutural (graças à presença de figuras como Roberto Rossi Zuccolo) em vez da imposição de determinado partido formal.
Também parece orbitar o mundo do Mackenzie o projeto (sem data) para os interiores da casa de Luiz Stringari, realizada por uma gigante do desenvolvimento de São Paulo, a multinacional Cia. City. Uma delicada cortina, de um lado, um elegante mobiliário, do outro, e a citação à escultura de Alberto Giacometti, o jovem Mendes da Rocha é chamado a dar expressão ao gosto da fatia mais educada da elite paulista, que começava a adotar a causa modernista. Segue, evidentemente, a sintonia com o que desejam realizar alguns dos melhores colegas de faculdade que, conhecedores da carência do mercado paulista de mobiliário adequado aos seus projetos, começam a produzi-lo e a vendê-lo eles mesmos, culminando com a inauguração, em 1952, do espaço expositivo Branco e Preto. Como testemunho do precoce interesse de Mendes da Rocha pelo design, por outro lado, é importante lembrar que a famosa cadeira Paulistano foi projetada em 1956, bem antes da sua participação no concurso para o ginásio e, portanto, sem vínculos com o club.
Mais ou menos contemporânea, aparece a primeira versão, não datada, do projeto para a casa Virgílio Lopes da Silva, expressão máxima de um modernismo elegante que se vale do uso de pedra - comum nas casas contemporâneas de Lucio Costa, Gregori Warchavchik, Bratke e Levi, assim como em Artigas -, no qual parece evidente a presença da obra de Richard Neutra (de quem Mendes da Rocha disse recentemente ter prontamente comprado e lido o livro Arquitetura social em países de clima quente, publicado em São Paulo em 1948).
Por volta de 1956 deve-se buscar outro projeto, também sem data exata, que ajuda a lançar luz em outro lado do imaginário do arquiteto, aquele para o RSL, sigla que é a abreviação do nome Rua São Luiz. Ele se resume, com base na lição de Mies van der Rohe (e talvez mais ainda da Lever House, de SOM), em uma malha de superfícies de vidro ritmada por elementos verticais que, coerentemente com a linguagem arquitetônica adotada e à luz do entusiasmo pela recente inauguração da siderúrgica de Volta Redonda, deveria assumir a sua constituição em aço.
O PAPEL DE ARTIGAS

Em 1957 ocorre, então, a primeira vitória em um concurso público, para a concepção da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, em Florianópolis, com a qual os jovens Mendes da Rocha, Pedro Paulo de Melo Saraiva e Alfredo S. Paesani ganharam a capa da edição 232 da revista Acrópole. O projeto não é particularmente original, mas um detalhe assinala outro caminho de enriquecimento do universo figurativo então em curso: seus pilares são uma explícita e precoce reformulação daqueles do Palácio da Alvorada, rendendo, assim, homenagem à capital federal, então em fase de construção.

Algo crucial no processo de maturação do arquiteto é revelado em dois projetos de 1958. Em paralelo ao Paulistano, deve-se também considerar a primeira versão, não realizada, da casa de Gaetano Miani, com a relação com o solo e a interpenetração do espaço externo no edificado já pertencendo, sem dúvida, à poética de Mendes da Rocha. A iluminação zenital pelas duas aberturas na cobertura da residência mostra uma propensão a “pensar em corte”, e o sistema estrutural, ­composto por duas paredes laterais portantes que se dobram para formar a cobertura, precede aquilo que à primeira vista parecia ser a principal referência nesse projeto, a casa Taques Bittencourt, de Artigas. A datação precoce da casa Miani é um dado sobre o qual é preciso refletir: ela é anterior à entrada de Mendes da Rocha na órbita de Artigas, e anterior ainda aos projetos de Artigas que fariam escola.
A casa Miani e, em par com ela, o Paulistano são obras sem igual no horizonte contemporâneo paulista e, portanto, suficientes para refutar a ideia, já muito repetida, de que Artigas foi o “mestre” de Mendes da Rocha. Os dois projetos comprovam, ao contrário, que o amadurecimento de Mendes da Rocha não segue o de Artigas, mas corre paralelo ao desenvolvimento da obra deste. Da mesma forma, o projeto para a Faculdade de Direito de Sorocaba (1959), concebido em corte e articulado por uma série de níveis intermediários, reúne todas as funções em um único edifício, em torno de um espaço aberto, apresentando muitos dos traços do contemporâneo ginásio de Itanhaém, de Artigas.
Com isso não se quer negar nem subestimar o papel vital desempenhado por Artigas na carreira de Mendes da Rocha. Deve-se, no entanto, admitir que não foi com os seus projetos que Artigas orientou a arquitetura do jovem colega - o corpo compacto de concreto aparente do Paulistano fala, de fato, uma linguagem rude, sintética e elegante, de que não se tinha notícia em São Paulo, mesmo na obra do arquiteto paranaense. Aquilo que Artigas oferece a Mendes da Rocha, ao contrário, é um quadro teórico e político; e é precisamente por essa razão que ele sempre agradece a Artigas por ter operado um complemento “da minha visão com sua habilidade crítica” e “uma revisão dos meus parâmetros”.
Se a influência de Artigas em Mendes da Rocha não pode dar fruto até o início dos anos 1960, quando eles trabalharam lado a lado na FAU e no Plano de Ação de Carvalho Pinto, surge, então, um problema: se não provém de Artigas, quais são os estímulos que Mendes da Rocha recebe e elabora no curto espaço de tempo transcorrido entre os primeiros projetos, aqui rapidamente examinados, e a dupla Paulistano/casa Miani? Qual é a diferença entre os primeiros trabalhos, sem dúvida já muito promissores e testemunhos da obra de um jovem que olha ao redor em busca de suas raízes, e a sua arquitetura, que, a partir de 1958, revela já um súbito e inconfundível universo figurativo?
Não existe, naturalmente, uma solução única e simples para esse dilema inevitável. Para se tentar chegar a uma resposta, deve-se observar como os anos em questão são particularmente relevantes para a arquitetura no Brasil. Foi exatamente por volta de 1956 que começaram, assim, a circular nas páginas de revistas brasileiras (e não só) os dois projetos que devem ser considerados os principais pontos de referência de Mendes da Rocha nessa fase de definição da sua poética pessoal: o Museu de Arte Moderna de Caracas, que ele costuma ainda hoje definir como “o melhor projeto de Oscar Niemeyer”, e, sobretudo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de Affonso Eduardo Reidy, que outros colegas da faculdade, como Fábio Penteado e Pedro Paulo de Melo Saraiva, consideram, de própria palavra, sua principal referência naquela fase.
A CONVOCAÇÃO DO MAM/RJ

É principalmente o MAM/RJ que se destaca aos olhos de Mendes da Rocha como a indicação de uma tarefa a ser realizada, um exemplo de “convocação”, já que “quando se pensa em uma questão”, ele afirma, “deve-se mobilizar tudo o que se sabe”. Com o seu nítido e monumental sistema estrutural de pórticos enfileirados, o corpo expositivo do MAM/RJ constitui, de fato, o emblema de uma arquitetura cuja configuração formal é inseparável da organização espacial e da função estrutural. E com essa abordagem, totalmente desenvolvida tanto no Paulistano quanto em outro projeto contemporâneo - menor mas igualmente sintomático -, o da Westingbras, Mendes da Rocha vai tirar uma lição.

Mas o MAM/RJ se impõe como exemplo também por outro motivo. Reidy, em seu papel de técnico da prefeitura do Rio de Janeiro, durante anos contratado para elaborar um plano que incluía a escavação do morro de Santo Antônio (com o redesenho da área que seria liberada para descongestionar uma zona nevrálgica da cidade), cujo solo removido seria usado para aterrar uma faixa ao longo da costa, encontrava‑se nas melhores condições para tirar proveito do valor estratégico que o novo museu poderia assumir. E que de fato vai assumir quando se consegue realizar, junto com Roberto Burle Marx, o parque do Flamengo.
Além de estabelecer um diálogo com a paisagem, o MAM/RJ quer modificá‑la radicalmente. E é nesse sentido que a obra se coloca como um manifesto: é o ato de fé na capacidade do homem de empregar recursos técnicos a seu favor, para transformar o seu país. Precisamente por esse motivo, no amadurecimento de Mendes da Rocha é legítimo atribuir ao MAM/RJ, e à obra de Reidy no geral, um papel importante: a seus olhos, com a extraordinária síntese orientada à estrutura, como símbolo do domínio da técnica, mobilizada para construir, da origem, um espaço de uso público, o museu funde o desenvolvimento mais promissor da arquitetura brasileira com uma lição que só a partir desse momento Mendes da Rocha parece retomar, aquela do pai, o grande engenheiro civil Paulo de Menezes Mendes da Rocha (que por anos ensinou Navegação Interior e Portos Marítimos e, entre 1943 e 1947, foi diretor da Escola Politécnica de São Paulo), a quem ele costumava acompanhar como um jovem repleto de curiosidade de visitar os estaleiros.
Foi ao lado do pai, relata o arquiteto, “que aprendi que a natureza - para nós, homens - (...) é uma coisa fabricada (...). Eu nunca olhei a paisagem, até mesmo quando criança, como um puro e simples fato natural”.
O que até agora parecia um ponto de inflexão é assim, mais precisamente, a conquista de um contexto mais amplo onde se enquadrar a arquitetura. Um cenário que, desse momento em diante, significou - como num lampejo entre a lição do pai e tendências da arquitetura contemporânea brasileira, como aquela expressa no MAM/RJ - a reconfiguração do território.
Tal conquista, então, ocorre no momento em que o Brasil, tomando a via do desenvolvimento por meio da ­industrialização “forçada”, acolhe o concurso para a construção da nova capital federal no coração do sertão, com base no Plano de Metas, ou seja, quando o Brasil, mais do que nunca, parece mestre do seu próprio destino. E é próprio dessa confiança que a arquitetura de Mendes da Rocha ganhe expressão a partir do Paulistano.
Além do desejo de se aproveitar - com base no exemplo de obras como o Copan e o Conjunto Nacional, e como será um pouco mais tarde o Masp - de uma encomenda privada para doar um espaço público à cidade, evidente na configuração do grande terraço, o Paulistano já revela sutilmente uma tendência a transformar o solo, a reconfigurar a topografia. A parcial escavação do campo esportivo no solo e a construção, com o terraço, de um solo artificial são explícitas a esse respeito.
Um simples ginásio para um cliente privado vem, assim, a se formatar como fragmento de uma reconfiguração global da superfície da Terra, a emergência pontual de uma infraestrutura universal do território, realizada com o propósito de fazer a “geografia habitável para além do edifício isolado”. A clareza da estrutura e a sua audácia constituem, ao mesmo tempo, o instrumento e o emblema de tal objetivo. A sólida preparação técnica recebida no Mackenzie por Mendes da Rocha está aqui, pela primeira vez, a servir como um valioso recurso de articulação de um discurso. A técnica se revela o meio pelo qual se pode e se deve transformar o mundo: é a convicção de que é possível dominar, graças à inteligência, as leis que regem o funcionamento do planeta e empregá‑las com engenhosidade que fica na base dos seus projetos - como de fato acontece em belos e ligeiramente recentes desenhos, inéditos, em que o aquilão parece constituir uma metáfora da arquitetura.
De resto, a partir do Paulistano, na obra de Mendes da Rocha os problemas formais e técnicos não são autônomos, porque não são e não podem ser pensados isoladamente. O projeto não é concebido senão em termos estruturais: arranjo espacial e configuração estrutural nascem um em relação ao outro. O projeto não é confrontado com os limites impostos pela técnica em determinada fase do desenvolvimento, mas parte deles e a eles pertence; neles é constituído e, então, pode se desenvolver livremente em qualquer direção. E se permite assim a carregar o puro - mas não gratuito - gesto poético.
Publicada originalmente em Projeto Design na Edição 405
http://arcoweb.com.br/projetodesign/artigos/paulo-mendes-da-rocha-por-daniele-pisani

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Affonso Reidy


Obras recuperam desenho original do conjunto habitacional Pedregulho, na zona norte, projetado por Affonso Reidy
Considerado um dos mais importantes projetos de Affonso Eduardo Reidy (1909-1964) e marco da arquitetura moderna brasileira, o conjunto residencial Prefeito Mendes de Moraes, conhecido como Pedregulho, em São Cristóvão (zona norte), será totalmente reformado e terá o desenho original dos prédios recuperado até o fim do primeiro semestre.
Conjunto foi construído no fim dos anos 40 para servidores federais Foto: Marcos de Paula / Estadão

Conjunto foi construído para abrigar servidores federais Foto: Marcos de Paula / Estadão
Concebido no fim dos anos 1940 para abrigar funcionários públicos federais da então capital do País, o conjunto de três blocos tinha inovações como lavanderia mecanizada, creches, escolas, posto de saúde, mercado e ginásio esportivo, que foram desativados de 1970 em diante.
A falta da manutenção e reparos improvisados feitos por moradores descaracterizaram grande parte da arquitetura original, marcada pelas linhas sinuosas, pilotis de alturas variadas que se adaptam aos desníveis do terreno e passarelas entre os andares.
Segundo a Secretaria de Habitação do Estado, 12 mil turistas – na maioria, estudantes e profissionais ligados a arquitetura – visitam por ano o conjunto residencial. Duzentos operários trabalham na restauração dos edifícios, que têm juntos 328 apartamentos, onde vivem cerca de 1.700 pessoas. As redes de eletricidade, gás, água e esgoto serão modernizadas.
O Pedregulho é patrimônio cultural do Estadual e está em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A reforma é a maior obra do programa de recuperação de cem conjuntos habitacionais do Estado, ao custo de R$ 235 milhões. Nos prédios de São Cristóvão, serão investidos R$ 34 milhões.
Um dos expoentes da arquitetura moderna brasileira, Reidy participou de vários projetos urbanísticos na capital desde que, em 1929, trabalhou no plano diretor do Rio, ao lado de Alfred Agache. O Pedregulho é o maior marco da chamada “face social” do trabalho do arquiteto, criado em um período em que o poder público buscava soluções de habitação popular. O conjunto habitacional foi decisivo para o reconhecimento internacional de Reidy, depois dos elogios de Le Corbusier (1887-1965), um dos maiores nomes da arquitetura mundial.


Fonte: http://brasil.estadao.com.br/blogs/estadao-rio/reforma-de-marco-da-arquitetura-moderna-do-rio-custara-r-34-mi/

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Alvaro Siza



álvaro siza
álvaro siza

o arquiteto português álvaro siza emocionou o mundo com seus trabalhos seminais e, aos 81 anos, permanece surpreendendo pela autenticidade e espontaneidade de sua obra mais recente


O arquiteto português Álvaro Siza tem uma trajetória bem-sucedida. Ao longo de 60 anos, construiu em diversas partes da Europa e além, resolveu programas de todos os tamanhos, e seu reconhecimento lhe rendeu a maior parte das medalhas, láureas e outorgas que podem ser atribuídas a um arquiteto. Entretanto, a obra recente do autor ainda mostra fôlego, com liberdade levada ao limite, sem abrir mão da espontânea autenticidade de seus trabalhos de juventude.


piscinas de marés, em matosinhos

piscinas de marés, em matosinhos

Ainda estudante, Siza já desenhava projetos autorais. Aos 25 anos, entrou com colegas num pequeno concurso de seu município, Matosinhos, para decidir quem assinaria o projeto de um restaurante próximo a uma pequena paróquia nos arredores do Porto, nas escarpas que, no norte de Portugal, se precipitam sobre o oceano Atlântico –, a Casa de Chá Boa Nova. A equipe de Siza venceu a proposta por meio de um pavilhão rebaixado em relação à rodovia, com três telhados defasados, sem contrastar com a igreja existente. Um caminho anguloso cria um percurso do exterior até o salão principal do restaurante, onde um pano de vidro dá aos visitantes a vista do horizonte atlântico.


museu mimesis, na coreia do sul

museu mimesis, na coreia do sul



o mais novo projeto de siza, em parceria com carlos castanheira: edifício sobre a água, parte de um complexo fabril de produtos químicos em huai’an, na china

o mais novo projeto de siza, em parceria com carlos castanheira: edifício sobre a água, parte de um complexo fabril de produtos químicos em huai’an, na china


a fundação iberê camargo, em porto alegre

a fundação iberê camargo, em porto alegre

Alguns anos depois, o português venceu mais um concurso à beira-mar, no mesmo distrito de Leça da Palmeira, em Matosinhos. Tratava-se de uma série de piscinas feitas em concreto armado, um conjunto que praticamente desaparece no limite entre cidade e mar. A força do complexo vem de uma criteriosa delimitação das águas com muros de arrimo e com as rochas existentes. As pedras ajudam a compor a circular piscina infantil e a de adultos, criando uma paisagem na qual a natureza das águas salgadas e dos rochedos se mescla com os arrimos de concreto e a água doce. A eloquência do clube chamou a atenção do mundo para aquela nação periférica da Europa, que vivia imersa numa ditadura de três décadas. Surgiram as primeiras publicações internacionais, sinalizando o interesse em um trabalho particular feito durante os anos 1960, mesma década em que aparecem no cenário arquitetônico o italiano Aldo Rossi e o norte-americano Robert Venturi, alguns dos precursores do pós-modernismo na arquitetura.


complexo esportivo em barcelona

complexo esportivo em barcelona

Leia a matéria completa na seção power arquitetura do anuário 2015.
Fonte: http://bamboonet.com.br/posts/o-arquiteto-portugues-alvaro-siza-emocionou-o-mundo-com-seus-trabalhos-seminais-e-aos-81-anos-permanece-surpreendendo-pela-autenticidade-e-espontaneidade-de-sua-obra-mais-recente

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Sergio Ferro




"atualmente é raríssima a obra de arquitetura que possa ser chamada de obra de arte. 
Simplesmente porque aquele que projeta e pensa não é o mesmo que manipula, não é aquele que faz, que transforma a matéria.

 Arte é uma idéia concreta, efetivada no material. 
É o momento de encontro entre o humano e o não-humano. 
E no material já existe muito de humano. 
E dessa união nasce a alegria... O eu criador varia de arte para arte. 

O eu da pintura e da escultura é unitário, o eu da arquitetura é coletivo, social, composto do arquiteto e dos produtores. 
Por isso, talvez a arquitetura devesse ser a maior e a melhor das artes. 
Porque não apareceria mais o ego isolado de cada um de nós, de cada arquiteto, mas sim a subjetividade humana compartilhada.
Uma coisa é criar no escritório e depois mandar fazer. 
Outra é escutar as possibilidades advindas de cada equipe de trabalho e promover a colaboração entre parceiros. 

O projeto pode e deve estar aberto no momento de sua concepção para uma transformação, uma modificação, pois nenhuma previsão consegue antever todas as possibilidades que surgem no momento da realização. 
Daí a necessidade de colaboradores que participem da criação do projeto global e se sintam realmente responsáveis pelo que estão fazendo. 
Cada equipe de especialistas atuando com liberdade, responsabilidade e cooperação. 
Para nós, arquitetos, o que interessa não é a estética, teoria da percepção do objeto, mas a poética, que é o fazer, o produzir. 
Então, quando um arquiteto chega na prancheta e começa a querer fazer algo com equilíbrio dinâmico entre as massas e etc., está se comportando como esteta, aquele que vê, e não como poeta, aquele que faz. 
Os ensinos no ateliê são estéticos e não poéticos. A produção é abafada, secreta e triturada."
Sergio Ferro


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Ocupação Urbana Móvel


bijari, praças (im)possíveis

coletivo bijari cria praças sobre rodas, levando sombra, verde e mobiliário urbano para os espaços públicos áridos de são paulo


ação no vale do anhangabaú

ação no vale do anhangabaú
Praça: lugar público e espaçoso. Bicicleta: velocípede de duas rodas iguais, movido a pedal. Pelas definições do dicionário Michaelis, já se percebe o paradoxo entre as duas coisas – a primeira, um lugar fixo; a segunda, um meio de transporte.  O coletivo Bijari, entretanto, conseguiu unir os dois conceitos em seu novo projeto, Praças (im)possíveis, em exposição na Galeria Choque Cultural de 14 de março a 9 de maio.


ação no vale do anhangabaú



O coletivo, composto por um grupo multidisciplinar que inclui artistas, arquitetos e designers, criou bicicletas que carregam bancos, guarda-sol e floreira. Há ainda guarda-sóis com rodinhas, que também levam vasos. “Criamos uma praça que se desloca até as pessoas, que se configura onde há a necessidade. Interessa a ideia de que a praça não precisa estar em um só lugar. Nos servimos do paradoxo para abrir possibilidades”, explica Geandre Tomazoni, diretor de arte e um dos sócios do Bijari.

A ideia era promover um melhor aproveitamento do espaço público em São Paulo. “Alguns são totalmente despreparados para o convívio. São mais espaços de fluxo e de trânsito do que realmente de estar e ficar”, continua Gustavo Godoy, também sócio do Bijari e diretor de arte. Mas que, com sombra e lugares para sentar, mesmo que improvisados, podem se tornar agradáveis e reunir pessoas. “É uma resistência cultural. O indivíduo pode ser o agente da vida pública, não só expectador. Não estamos apenas recebendo um desenho de uma construtora ou do governo, mas também redesenhando e configurando o espaço”, diz Tomazoni.



Esta ocupação popular espontânea se beneficia do caráter instantâneo do projeto. Basta pedalar para levar a praça para um novo local. “O urbanismo europeu não pode ser o nosso modelo. Temos que reinventar o espaço da nossa maneira, com referencias à arquitetura vernacular, à cultura da performance, ao jeitinho brasileiro de não ser totalmente legal. Não é construído, é improvisado e lúdico”, sugere Maurício Brandão, outro sócio do Bijari e diretor de arte. Segundo o coletivo, no momento, a prefeitura de São Paulo tem se mostrado aberta a essas soluções criativas que partem da própria população. Pelo menos no Largo da Batata, onde o Bijari tem atuação constante, a subprefeitura tem participado com mais escuta e menos proibição.
As bicicletas não serão comercializadas em massa – elas têm o caráter de obra de arte. Foram produzidas apenas três, que poderão ser adquiridas por colecionadores, assim como os 12 guarda-sóis. Mas, mesmo que se tornem propriedade privada, a ideia é que possam ser usadas em conjunto. “Pensamos que eles possam compartilhar com outras pessoas, formando praças ocasionalmente”, explica Paula Oliveira, assistente de produção de arte do Bijari. Independente do futuro das peças, permanece o desejo de uma ocupação urbana independente, que valorize o encontro.
Saiba mais na agenda.


terça-feira, 31 de março de 2015

Fazenda urbana


A fazenda deve ser usada para impactar positivamente o meio ambiente e a comunidade.




A Vertical Harvest é um projeto que deve mudar a realidade da agricultura urbana na cidade norte-americana de Jackson Hole. Construída dentro de um prédio de três andares, a estrutura servirá como uma estufa hidropônica gigante, fornecendo alimentos frescos e um novo negócio para a comunidade local.
O projeto é fruto do incansável trabalho de duas mulheres: Penny McBride e Nona Yehia. Durante cinco anos amadureceram a ideia, correram atrás de parceiros, patrocinadores e agora estão cada vez mais perto de transformar o sonho em realidade.
O escritório de arquitetura E/Ye é o responsável pelo projeto. De acordo com o desenho, o prédio contará com uma área construída média de quatro mil metros quadrados. O local será usado para o cultivo de diferentes espécies, que serão comercializadas na própria comunidade local. A expectativa é de que sejam produzidos anualmente 8,1 mil quilos de folhas verdes, duas mil toneladas de ervas e vinte toneladas de tomates.



Além de ser referência em agricultura urbana, o Vertical Harvest quer ser referência em outras áreas. Osite do projeto deixa bem claro que a missão vai além do plantio. A fazenda deve ser usada para impactar positivamente o meio ambiente e a comunidade. O local fornecerá alimentos frescos, mas também dará suporte a pessoas com deficiência, capacitando-as para trabalhar e serem incluídas no mercado de trabalho. O último ponto apresentado pelos idealizadores é a implementação de expansão de programas e iniciativas nutricionais e educacionais dentro da Vertical Harvest.
O intuito não é usar a estrutura visando o lucro. Os ganhos financeiros serão apenas os necessários para cobrir as despesas, pagar os impostos e colaborar para o desenvolvimento local.

Redação CicloVivo
Fonte: http://ciclovivo.com.br/noticia/fazenda-urbana-oferece-alimentos-frescos-e-oportunidades-sociais

segunda-feira, 30 de março de 2015

Attílio Corrêa Lima

Attilio




 Documentário Biográfico sobre o arquiteto e primeiro urbanista formado do Brasil,Attílio Corrêa Lima, autor dos projetos urbanísticos de Goiânia e Volta Redonda, do prédio sede do INCAER, antiga estação de hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont, projetos paisagísticos e vários outros. 
Produzido em 2009 com recursos da Lei Municipal de Incentivo a Cultura de Goiânia.



Documentário completo:

domingo, 29 de março de 2015

Aula Magna com Marta Romero, da UnB



Com o tema “Sustentabilidade das cidades”, o CAU/GO realiza em março sua Aula Magna para os estudantes de arquitetura e urbanismo do Estado. A convidada para a ocasião será a professora Marta Romero, titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora do Laboratório de Sustentabilidade Aplicada (LaSUS/UnB).
A primeira aula será no dia 30/03 em Goiânia, no Teatro da PUC/GO, situado no campus V da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC/GO), às 19 horas. Já a aula do dia 31/03 será em Anápolis, no auditório do Centro Universitário de Anápolis (Unievangélica), às 9 horas da manhã.

Fonte: http://www.caugo.org.br/?p=9966