sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Já abriu o Google hoje?


Homenagem do Google pelo Centenário de Lina Bo Bardi, 5/12/2014





"Sou contra ver a arquitetura somente como um projeto de status. Estou em desacordo com o meu querido amigo Kneese de Mello quando diz que os pedreiros não devem fazer arquitetura. Acho que o povo deve fazer arquitetura."
“A estrutura de uma obra de arquitetura tem que ser projetada por um arquiteto, mesmo se calculada por outros, mas os problemas, que eu chamei de prática científica, devem ser conhecidos e nisso o ensino é terrivelmente falho.”
“Bom, para mim, pessoalmente, como arquiteta, arquitetura é estrutura. Quer dizer, a estrutura de um edifício é elevada ao nível da poesia, como parte da estética. Não há nenhuma diferença. Um arquiteto deve projetar a estrutura como projeta arquitetura, no sentido doméstico da palavra”
“Depois do racionalismo a arquitetura moderna retoma contato com o que de vital, primário, anticristalizado existe no homem, e estes fatores são ligados aos diferentes países, e o verdadeiro arquiteto moderno pode resolver, quando chamado, as realidades de qualquer país, [...] chegar àquela compreensão e formulação dessas realidades que às vezes os próprios arquitetos que ali nasceram não alcançaram.”
“Um anacronismo é também se inspirar na pura técnica como valor expressivo; a técnica não possui valores expressivos em si mesma, mas apenas na eficiência do seu emprego. Quando a única virtude da técnica é o seu aspecto, a sua aparência, cai-se na decoração; (...) a novidade pela novidade, o estranho pelo estranho podem preencher os olhos mas não a inteligência e o coração.”
 “A posição de revolta do arquiteto Niemeyer, ao fazer o contrário daquilo que ele teria podido fazer, enfrentar a especulação imobiliária para servir-se dela como uma arma, contra a própria especulação (a sua celebridade o teria permitido), é uma posição de artista desligado de problemas sociais, uma posição de l’art pour l’art”
“O arquiteto que projeta um edifício não convive com o pedreiro, o carpinteiro ou o ferreiro. (...) O desenhista técnico tem complexo de inferioridade pela ausência de competência prática. O operário executor é aviltado pela falta de satisfação ética do próprio trabalho.”
“(...) o arquiteto perdeu a sua figura de arquiteto individual para se transformar num empreendedor. Pode-se trabalhar muito bem montando um pequeno escritório ou escritórios nas diferentes obras, trabalhando coletivamente. A figura do arquiteto trabalhando em cooperativa é perfeita”
“As escadas sempre fascinaram o homem. As grandes escadarias das cidades, as escadas dos tronos, dos templos... são um elemento fascinante, e eu sempre fui, como arquiteta, fascinada pelas ideias de uma escada. Nunca tomei uma escada como um elemento prático, para subir de um nível a outro.”
“Hoje se chegou a um impasse e vocês vivem um período muito “complicado” da história da arquitetura. Não se sabe o que olhar, o que fazer, e pensa-se que tudo é permitido.”
“(...) não somos contra a cultura, ao contrário, estamos ao máximo do lado da cultura, mas queremos esclarecer o significado dessa palavra; para nós a cultura no sentido cristalizado e amorfo da palavra não tem sentido; nós somos por uma intensificação e extensão da cultura, mais precisa, e é condição absolutamente necessária limitar os problemas. Um conhecimento enciclopédico é hoje impossível – o que precisa fazer é iluminar, ter a percepção exata da existência dos problemas, e na limitação e no âmbito duma profissão, deixar abertas as possibilidades de aprofundar os mesmos quando necessário.”
“A liberdade do artista foi sempre “individual”, mas a verdadeira liberdade só pode ser coletiva. Uma liberdade ciente da realidade social, que derrube as fronteiras da estética, campo de concentração da civilização ocidental; uma liberdade ligada às limitações e às grandes conquistas da prática científica (prática científica, não tecnologia decaída em tecnocracia). Ao suicídio romântico, é urgente contrapor a grande tarefa do planejamento ambiental, desde o urbanismo e a arquitetura até o desenho industrial e outras manifestações culturais. Uma reintegração, uma unificação simplificada dos fatores componentes da cultura.”
“A industrialização abrupta, não planificada, estruturalmente importada, leva o país à experiência de um incontrolável acontecimento natural, não de um processo criado pelos homens. Os marcos sinistros de especulação imobiliária, o não planejamento habitacional-popular, a proliferação especulativa do desenho industrial: gadgets, objetos na maioria supérfluos, pesam na situação cultural do país, criando gravíssimos entraves, impossibilitando o desenvolvimento de uma verdadeira cultura autóctone.”
“Uma tomada de consciência coletiva é necessária, qualquer divagação é um delito na hora atual, a “desculturação” está em curso. Se o economista e o sociólogo podem diagnosticar com desprendimento, o artista deve agir, como parte ligada ao povo ativo, além de ligada ao intelectual.”
“Acredito que o Brasil é um país com grande futuro socioeconômico; se falhar, a culpa vai ser de vocês e nossa também, porque ele tem todas as possibilidades de realizar uma grande “modernidade” (...) o Brasil não tem muita vocação artística, isto é, para as artes plásticas, por exemplo, mas tem uma grande e moderníssima vocação que é a prática científica, da qual depende a total formação moderna. É o país mais adiantado do mundo nesse sentido. Não é brincadeira, não. A poesia também está implícita na ciência, que, por sua vez, não é o contrário da poesia. Enquanto aqui muitas das artes plásticas corriqueiras são uma solene porcaria, sem nenhum conteúdo, um pequeno esforço científico tem sempre uma contribuição humana e um conteúdo humano-poético muito importantes. No Brasil, temos a sorte de não ter os horizontes fechados. É um grande país, com um povo que tem uma capacidade dizer “não”, de maneira cafajeste e elegante, a tudo aquilo que não merece ser levado a sério.”
“Estamos na undécima hora para resolver o problema [habitacional], que tem de ser resolvido com a condição de satisfazer um “direito” que não adianta ocultar com as desculpas de que os pobres põem nas casas modernas as galinhas dentro das banheiras e os sapatos nas geladeiras. A “Invasão” tem que ser eliminada por meio de uma séria e honesta planificação e não com as tropas de choque.”
“(...) os que se ocupam das necessidades de uma parcela bem reduzida da sociedade, os autores da serena tomada de anotações dos fatos, os que não fazem escândalo, estão, com certeza, de outro lado.”
“Um dos mais desoladores resultados desses tempos cheios de amarguras e desilusões é a indiferença com a qual governantes, homens políticos, jornalistas, numa palavra, todos aqueles que formam o elemento condutor do país, consideram os problemas técnicos e científicos. Destinam-se verbas enormes a obras públicas, esgotando as finanças nacionais, sem se perguntar se a obra e o fim corresponderão ao sacrifício feito pelo país, e se essas obras merecem realmente esse sacrifício.”
“O problema das casas populares levanta problemas econômicos e sociais de grande envergadura, interfere e atinge interesses econômicos particulares. A impostação econômico-social e científica tem que ser feita com o concurso de técnicos de toda a natureza, desde os sociólogos e arquitetos, até médicos e cientistas. Precisamos levantar o problema.
“Importante é aceitar, fazer uso antropológico, quando necessário, de coisas esteticamente negativas: a arte (como a arquitetura e o desenho industrial) é sempre uma operação política.”
“(...) o design internacional acabou no sentido de que não é mais a salvação do homem, nenhum homem pode se salvar pelo design. Um bonito copo nos salva da sede? Um prato muito bonito ou uma cadeira bonita nos salvam da fome, da miséria, da doença, da deseducação e do desemprego? Essa é uma grande falha.”
"É preciso se libertar das “amarras”, não jogar fora simplesmente o passado e toda a sua história; o que é preciso, é considerar o passado como presente histórico. O passado, visto como presente histórico é ainda vivo, é um presente que ajuda a evitar as várias arapucas. Diante do presente histórico, nossa tarefa é forjar um outro presente, “verdadeiro”, e para isso é necessário não um conhecimento profundo de especialista, mas uma capacidade de entender historicamente o passado, saber distinguir o que irá servir para as novas situações de hoje que se apresentam a vocês, e tudo isto não se aprende somente nos livros”
“Portanto, se a gente acreditar que tudo o que é velho deve ser conservado, a cidade vira um museu de cacarecos. Em um trabalho de restauração arquitetônica é preciso criar e fazer uma seleção rigorosa do passado. O resultado é o que chamamos de presente histórico”
“O que eu poderia dizer é que não existem tupiniquins; existem brasileiros. Claro, eu disse que o Brasil é o meu país de escolha e por isso meu país duas vezes. Eu não nasci aqui, escolhi esse lugar para viver. Quando a gente nasce não escolhe nada, nasce por acaso. Eu escolhi o meu país.”
“ Existem “belas almas” e almas menos belas. Em geral as primeiras realizam pouco, as outras realizam mais. É o caso do MASP. Existem sociedades abertas e sociedades: a América é uma sociedade aberta, com prados floridos e o vento que limpa e ajuda.”
“Tenho pelo ar-condicionado o mesmo horror que tenho pelos carpetes. Assim, surgiram os “buracos” pré-históricos das cavernas, sem vidros, sem nada. Os “buracos” permitem uma ventilação cruzada permanente.” [Referindo-se às aberturas nas quadras do SESC Pompeia]
“Quando o músico e poeta americano John Cage veio a São Paulo, de passagem pela avenida Paulista mandou parar o carro na frente do  MASP, desceu, e andando de um lado para outro do belvedere, os braços levantados, gritou: “É a arquitetura da liberdade!”. Acostumada aos elogios pelo “Maior vão livre do mundo, com carga permanente, coberto em plano”, achei que o julgamento do grande artista talvez estivesse conseguido comunicar aquilo que queria dizer quando projetei o MASP. O museu era um “nada”, uma procura da liberdade, a eliminação de obstáculos, a capacidade de ser livre perante as coisas” 
Victor Delaqua. "Citações de Lina Bo Bardi" 05 Dec 2014. ArchDaily Brasil. Acessado 5 Dez 2014. <http://www.archdaily.com.br/br/758509/citacoes-de-lina-bo-bardi>

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Vilanova Artigas



https://www.youtube.com/watch?v=4YRaVzFBiuU



A obra de Vilanova Artigas ainda influencia várias gerações. 

O arquiteto professor com suas ideias de esquerda 
é um dos incentivadores da arquitetura social.

Técnica construtiva com uso do concreto aparente e valorização da estrutura.

Artigas tinha o olhar totalmente focado no ser humano, no social, para ele o espaço público deveria ser privado, e vice versa.

Artiga pensava o projeto sempre como público, mesmo uma residência deveria ser pública.

"A função social do arquiteto é trabalhar para a sociedade como um todo e não só para uma classe de burgueses abastados, é trabalhar a favor da distribuição de renda, de uma melhor qualidade de vida para aqueles que não estavam sendo privilegiados no desenvolvimento urbano, agir contra a especulação imobiliário, defender os interesses das classes sociais mais baixas, colocar o interesse público na agenda da Arquitetura." Guilherme Wisnik




Priscilla Maciel Teixeira pichimt@gmail.com

22 de out
para mim
Desabafo:
Nossa, quando vejo umas matérias dessas, me dá uma sensação de felicidade e esperança! Ver um dos maiores arquitetos, ou melhor, a maioria dos arquitetos que se destacam/destacaram com um pensamento que envolve as grandes massas e é contra a esse estilo de vida que estamos desenvolvendo dentro da sociedade. Uma arquitetura anárquica, no sentido de ir contra as tendências vis e perversas que a classe opressora estimula em nosso meio!
Me faz acreditar ainda mais na profissão que escolhi, e na mudança de um mundo inteiro, a partir de um "simples" edificio. Eu acredito nisso! Eu acredito nele! E vou continuar, porque se depender de profissionais e até próprios colegas de curso, essa visão não passa da utopia e do mundo das ideias, e acho que já tem gente demais pensando assim.
Bjs!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

GDF desiste de aprovar PPCub

O governador Agnelo Agnelo Queiroz desistiu oficialmente de aprovar o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub) e da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) nesta legislatura. A retirada da Câmara Legislativa dos dois projetos foi solicitada pelo chefe do Executivo. A informação foi passada ontem pelo presidente da Casa, Wasny de Roure (PT), ao governador eleito, Rodrigo Rollemberg (PSB). As duas proposições eram parte da preocupação do socialista em relação a temas que tramitam ou ainda podem entrar na pauta dos deputados distritais ainda este ano.

No ano passado, Rollemberg foi um dos principais críticos da alegada falta de discussão em torno dos dois assuntos — principalmente do PPCub. O GDF tentou avançar em relação aos assuntos, mas acabou enfrentando resistência na sociedade civil organizada e sofreu, ainda, questionamentos judiciais. O governador eleito considera importante que as duas propostas, que têm relação com uso e ocupação do solo na área tombada e nas regiões administrativas, sejam rediscutidas com profundidade pelo governo com participação da comunidade.

Rollemberg fez uma visita de cortesia a Wasny e aproveitou para obter dele um panorama a respeito dos projetos em tramitação. Ficou sabendo, por exemplo, do Projeto de Emenda à Lei Orgânica (Pelo) aprovado em primeiro turno que proíbe o Executivo de criar e extinguir cargos e estruturas administrativas por decreto. O governador eleito fez um apelo ao ex-colega de Casa de que sejam evitadas proposições que possam gerar despesas para a futura administração. Pedido parecido já tinha sido feito aos deputados distritais reeleitos que participaram de encontro na sede nacional do PSB: Celina Leão e Joe Valle, ambos do PDT, Professor Israel Batista, do PV, e Dr Michel, do PEN. “Precisamos estar atentos ao que pode entrar em pauta”, pediu.
Fonte: Correio Braziliense: Carlos Moura/CB/D.A Press - 30/10/14 - 31/10/2014 - - 14:16:41

Lei de Assistência Técnica


Fonte da imagem: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/11.126/3902?page=12




Prezados, esse texto trata do papel social do arquiteto como produtor, não só de monumentos e arquitetura para abastados, mas também de arquitetura para as pessoas de baixa renda.

O arquiteto japonês Shigero Ban dizia "Os arquitetos podem ser úteis a muita gente, não apenas aos ricos." já colocando a prática profissional para os "pobres" como exceção, não como prática corrente. Já Niemeyer em seu filme Um Sopro de Vida brinca: "Arquitetura é para quem tem dinheiro, o resto estão por aí fodidos nas favelas. Fodido não tem vez."

O texto é do estudante de Arquitetura da UnB Erick Welson, trata-se de um ensaio teórico que busca praticar um outro olhar sobre o papel do arquiteto e o seu lugar no mundo, ou seja, como se pode agir para que esses "fodidos", se é que o termo é esse, tenham vez.

Trata da Lei de Assistência Técnica n° 11.888, publicada em 24 de dezembro de 2008, que prevê a garantia de assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social. Em outras palavras, trata do direito ao acesso gratuito à Arquitetura pela população de baixa renda (até três salários mínimos).

A atividade consiste em ler o texto com muita atenção e em seguida elaborar resenha (ao menos 20 linhas) abordando:
- a temática da formação do arquiteto e como ela pode incentivar as práticas de inclusão social,
- o papel do Estado (políticas públicas) na garantia da aplicação da lei de assistência técnica e melhor atendimento à população de baixa renda no que se refere às questões do espaço arquitetônico e infraestrutura urbana.


http://www.caudf.org.br/portal/index.php/m-imprensa/900-legislao-graduando-da-unb-apresenta-trabalho-final-sobre-assistncia-tcnica-a-comunidades-carentes.html

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Monografia pelas normas ABNT



De acordo com a ABNT, a estrutura de uma tese, dissertação ou de um trabalho acadêmico compreende: elementos pré-textuais, elementos textuais e elementos pós-textuais.

Elementos pré-textuais:

  • Capa (obrigatório)
  • Lombada (opcional)
  • Folha de rosto (obrigatório)
  • Errata (opcional)
  • Folha de aprovação (obrigatório)
  • Dedicatória(s) (opcional)
  • Agradecimento(s) (opcional)
  • Epígrafe (opcional)
  • Resumo na língua vernácula (obrigatório)
  • Resumo em língua estrangeira (obrigatório)
  • Lista de ilustrações (opcional)
  • Lista de tabelas (opcional)
  • Lista de abreviaturas e siglas (opcional)
  • Lista de símbolos (opcional)
  • Sumário (obrigatório)

Elementos textuais:

  • Introdução
  • Desenvolvimento
  • Conclusão

Elementos pós-textuais:

  • Referências (obrigatório)
  • Glossário (opcional)
  • Apêndice(s) (opcional)
  • Anexo(s) (opcional)
  • Índice(s) (opcional)
Neste artigo explicaremos como formatar todos os elementos obrigatórios e os opcionais mais utilizados. Contudo, os passos para formatar os outros elementos são bem semelhantes e qualquer um que leia atentamente este tutorial conseguirá fazer os demais por conta própria.
Agora vamos colocar a mão na massa — que, aliás, é o foco deste texto.

Regras gerais de formatação

Algumas regras de formatação definidas pela norma se aplicam a todo o documento. Três delas merecem ser configuradas logo no início, antes de digitar qualquer letra. São elas: tamanho e tipo da fonte, tamanho do papel, margens e parágrafo (recuo e espaçamento).
Já outras são deixadas a cargo do autor. De acordo com a norma ABNT, “O projeto gráfico é de responsabilidade do autor do trabalho.” Ou seja, tudo que não estiver explicitamente definido nas normas pode ser escolhido livremente pelo autor.

Fonte: http://fazendoacontecer.net/2010/02/04/como-formatar-uma-monografia-pelas-normas-abnt-do-inicio-ao-fim-parte-1/

domingo, 15 de junho de 2014

Heidegger




Texto: Construir, Habitar, Pensar - Heidegger

Michel Foucault



 
 
 
Em todos os casos, acredito que a ansiedade da nossa época tem a ver
fundamentalmente com o espaço, muito mais do que com o tempo. O tempo aparecenos como apenas uma das várias operações distributivas que são possíveis entre os elementos que estão espalhados pelo espaço.




Texto:  De outros Espaços. Michel Foucault





 

Terrain Vague

 
Texto: Terrain Vague, SOLA MORALES

 

Robin Evans

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Morre Lelé aos 82 anos






Arquitetura não é projeto,
Arquitetura é um processo,
processo que se inicia com o anteprojeto, as ideias básicas,
depois vai se desenvolvendo,
depois vem a construção,
e por último a própria ocupação do edifício,
que faz parte também desse processo.
 

segunda-feira, 19 de maio de 2014

A Formação do Homem Moderno através da Arquitetura

Por caminhos diferentes, o eclipse da história desencadeada pelo funcionalismo se prolonga no pós-moderno. (22)

Com muita argúcia e no apogeu do funcionalismo, Heidegger percebia que a verdadeira crise da arquitetura não era uma crise de alojamentos, mas uma crise do sentido do habitar - entendendo o habitar como o sentido do ser do homem e como o sentimento de proteção e segurança existencial frente aos deuses, ao universo e a si mesmo: "Já não aprendemos a habitação como se fosse o ser (sein) do homem; e menos ainda pensamos a habitação como traço fundamental da condição humana. É preciso, antes de tudo, aprender a habitar." (23)

Eis, então, a nossa chave de leitura: reconhecermos na arché da arquitetura a arché da época, do mundo, do modo pelo qual os "homens habitaram a terra em um determinado momento".


Texto: A Formação do Homem Moderno através da Arquitetura

A formação do homem moderno vista através da arquitetura/Carlos Antônio Leite Brandão - 2ª Edição - Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1999. Coleção Humanitas

terça-feira, 13 de maio de 2014

Habitação Christopher Alexander



A família nuclear não é,
por si mesma,
uma forma social viável.
 
 
Em seu último livro Island, Aldous Huxley oferecia uma amável versão dessa perspectiva:
-
quantos lares tem uma criança insulana ?
- uns vinte, em média.
- Vinte ? Meu Deus !
- Todos nós pertencemos – explicou Susila – a um MAC, um clube de adoções mútuas. Mutual Adoption Club. Cada MAC tem entre 15 e 25 pares de relações familiares diversificadas, mas bem identificadas. Há noivos e noivas recém-compromissados, há a classe dos veteranos que possuem filhos, avós e bisavós... todo mundo adota um ao outro. Além de nossos parentes consangüíneos, todos temos uma cota de mães adotivas, de pais adotivos, de tias e tios adotivos, de irmãos e irmãs adotivas, de pais adotivos, de filhos bebês que começam a andar em nossa volta, de filhos adolescentes a conversar conosco.
Ele balançou a cabeça.
- Desse modo, há aqui uma vinte famílias onde antes havia apenas uma...
- Bem, o quehavia antes era o vosso tipo de família – e encena uma leitura de um livro de receitas – tome-se um escravo, mas assalariado, sexualmente inepto, com uma mulher insatisfeita, e ainda dois ou, se preferir, três filhos viciados por televisão; misture com o tempero de um freudianismo e de um cristianismo algo diluídos; tampe com força em um apartamento de quatro cômodos, e deixe tudo isso à sua própria sorte por uns quinze anos. Bem, por outro lado, a nossa receita é bem diferente: tome vinte pares sexualmente satisfeitos, e sua descendência; junte ciência, intuição e humor em quantidades iguais; ponha um suculento molho de budismo tântrico, e cozinhe indefinidamente, em fogo baixo, sem pressa, numa panela aberta ao ar livre, sobre uma chama viva de afeto.
- E o que o que sai da panela ? – ele perguntou.
- Um tipo inteiramente novo de família. Nada em exclusividade, como nas vossas famílias, nada predestinado, nada coercitivo. Uma família inclusiva, sem
obrigatoriedades, voluntária. Vinte pares de pais e mães, mais uns oito ex-pais e ex-mães, mais umas quarenta ou cinqüenta crianças, de todas as idades.


(Aldous Huxley,
Island, Bantam, Nova Iorque, 1962, pp. 89-90).
 
APRESENTAÇÃO: ESTAS NOTAS DE AULA COMPÕEM UM BLOCO DE TEXTOS DA AUTORIA DE CHRISTOPHER ALEXANDER E SUA EQUIPE, NA UNIVERSIDADE DA CALIFÓRNIA, BERKELEY. TODOS ESSES TEXTOS FORAM RETIRADOS DO IMPORTANTE LIVRO "LINGUAGEM DE PADRÕES", E SE ARTICULAM COMO "ESPECIFICAÇÕES PARA UM PROJETO DE COMUNIDADE".
 

Referência: Christopher Alexander (1977) – A Pattern Language. Towns. Buildings. Construction. Nova York: Oxford University Press.
Tradução: Prof. Frederico Flósculo Pinheiro Barreto.
NOTAS DE AULA DA DISCIPLINA PROJETO ARQUITETÔNICO 3 – HABITAÇÃO – AGOSTO DE 2004 PROF. FREDERICO FLÓSCULO PINHEIRO BARRETO





Texto: HABITAÇÃO, Christopher Alexander

segunda-feira, 19 de março de 2012

Le Corbusier








A paixão faz das pedras inertes um drama. (XXXI)


O arquiteto, ordenando formas, realiza uma ordem que é pura criação do seu espírito;
pelas formas, afeta inensamente nossos sentidos, provocando emoções plásticas;
pelas relações que cira, desperta em nós ressonâncias profundas,
nos dá a medida de uma ordem que sentimos acordar com a ordem do mundo,
determina movimentos diversos de nosso espírito e de nossos sentimentos;
sentimos então a beleza. (3)
É que a arquitetura, que é coisa de emoção plástica, deve, no seu domínio, começar pelo começo e também empregar os elementos suscetíveis de atingir nossos sentidos, de satisfazer nossos desejos visuais, e dispô-los de tal maneira que sua visão nos afete claramente pela delicadez ou pela brutalidade, pelo tumulto ou pela serenidade, pela indiferença ou pelo interesse; estes elementos são elementos plásticos, formas que nossos olhos vêem claramente, que nosso espírito mede.
Essas formas primárias ou sutis, brandas ou toscas, agem fisiologicamente sobre nossos sentidos
(esfera, cubo, cilindro, horizontal, vertical, oblíqua etc.)
e os comovem.
Sendo afetados, somos suscetíveis de perceber além das sensações grosseiras; nascerão então certas relações, que agem sobre nossa consciência e nos conduzem a um estado de júbilo (concordância com as leis do universo que nos dirigem e às quais todos os nossos atos se submetem) em que o homem usa plenamente de seus dons de lembrança,de exame, de raciocínio, de criação. (7)
Para o arquiteto, escrevemos os "três lembretes":
O VOLUME que é o elemento pelo qual nossos sentidos percebem e medem, sendo plenamente afetados.
A SUPERFÍCIE que é o envelope do volume e que pode anular ou ampliar a sua sensação.
A PLANTA que é a geradora do volume e da superfície e que é aquilo pelo qual tudo é determinado irrevogavelmente. (9)
A Arquitetura é um fato da arte, um fenômeno da emoção, fora das questões da construção, além delas. A construção É PARA SUSTENTAR; A ARQUITETURA É PARA EMOCIONAR. A emoção arquitetural, existe quando a obra soa em você ao diapasão de um universo cujas leis sofremos, reconhecemos e adminiramos. (10)
Arquitetura consiste em "relações", é "pura criação do espírito". (10)
A Arquitetura é a primeira manifestação do homem criando seu universo, criando-o à imagem da natureza, aceitando as leis da natureza, as leis que regem nossa natureza, nosso universo. As leis de gravidade, de estática, de dinâmica se impões pela redução ao absurdo: ficar de pé ou desmoronar-se. (45)

Le Corbusier
em
Por Uma Arquitetura - 1958

domingo, 26 de fevereiro de 2012

PREINFANCIA

Artigo: PROJETO NACIONAL E APROPRIAÇÃO LOCAL, A CRECHE PREINFANCIA

CONSERVA, C. S.


"Minha casa é meu chapéu."
Frase atribuída a Lampião no dia em que queimaram sua casa.

RESUMO

O objetivo desse artigo é refletir sobre como acontece a apropriação dos espaços quando caminhamos pelas obras de implantação do projeto padrão da Creche PREINFANCIA, fornecido pela Administração Pública Federal às prefeituras para ser construído em todo o território nacional, através de convênios de repasses de recursos. Para ser licitado, a lei exige que exista um projeto básico. Como equacionar um projeto a ser replicado em todo o país sendo o Brasil um país de dimensões continentais e enorme diversidade entre as regiões? Como o projeto básico é recebido nas diferentes cenários urbanos, ambientais, sociais e históricos?
Para isso buscou-se estabelecer a relação entre espaço projetado e espaço vivenciado, na hipótese de que o espaço visto como algo rígido, o espaço da prancheta, padronizado, renderizado, pode apresentar surpresas ao ser vivenciado. Pretendemos o objetivo de estudar a questão da arquitetura pensada e elaborada pela gestão Federal para ser construída, administrada e vivenciada pela gestão municipal, refletindo a presença de diferentes atores e interesses, que vão se contrapor à visão do espaço como se fosse algo rígido, enclausurado em padrões e padronizações.
Como acontece a recepção dessa arquitetura aparentemente sem identidade, mas que supostamente
representa o sonho coletivo ainda que dissociada das suas experiências vividas? O que acontece para que o espaço do habitar se construa a partir do projeto básico, sempre igual? Especificamente, buscaremos os objetivos de estudar:
• a recepção do projeto padrão, suas relações e interdependências, a espacialidade socialmente criada;
• atividades não previstas acontecendo, desconstruindo o discurso do desenho separado da dinâmica da vida, do tempo e do espaço;
• A adaptabilidade das atividades a uma configuração espacial fixa.
Tendo as cidades de Araporã e Prudente de Morais MG, Lagoa de Pedras RN, Formosa e Jatái GO,
Veranópolis RS e Tangará RN, como eventos para estudo, analisam-se imagens escolhidas que nos remetem a reflexões sobre o espaço como lugar onde se desenvolvem relações, formas e comportamentos que se combinam formando uma espacialidade muitas vezes diferente daquelas pensadas em projeto e sacralizadas pelas normas e leis, quebrando o senso comum, buscando a compreensão da relação espaço/sociedade.

Palavras chave: arquitetura, projeto, apropriação, replicar, habitar


-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------



Resenha crítica do texto:

Projeto Nacional e a Apropriação Local - A Creche Preinfancia
Cátia dos Santos Conserva

Por: Vinícius Vieira


CRECHE PREINFANCIA - Utopia possível ou realidade imposta?


            O que as cidades de Formosa e Jataí no Goiás, Araporã e Prudente de Morais em Minas Gerais, Lagoa de Pedras e Tangará no Rio Grande do Norte, e Veranópolis no Rio Grande do Sul tem em comum? Se formos pensar em termos de localidade, podemos dizer imediatamente que todas estão em território nacional, ou seja, são cidades brasileiras. No entanto, em um país do tamanho do nosso, e partindo do pressuposto que se localizam em regiões diferentes, podemos afirmar que, fora o projeto CRECHE PREINFANCIA de iniciativa do MEC[1] - implantado em cada uma delas, são complementamente diferentes uma das outras.

            E é justamente partindo dessas diferenças, das particularidades que cada cidade/comunidade tem, que a autora pontua, de maneira elucidativa, problemas que surgem somente depois que um projeto sai da prancheta do arquiteto para ser implantado sem respeitar as singularidades locais. No PREINFANCIA, as creches são concebidas de maneira padronizada pela iniciativa Federal (com blocos divididos em setores, destinados a usos específicos com salas de amamentação, de informática, refeitórios e etc.) e construídas pela iniciativa Municipal. Cabe ao MEC a supervisão e às Prefeituras pagar a conta e “embalar a criança” depois.

            No entanto, é justamente a partir desse ponto que os reais problemas surgem, tendo em vista que a iniciativa que, apesar de ser louvável, implanta um projeto padrão que, segundo a autora, deixa de lado etapas prévias essenciais ao projeto arquitetônico, tais como: a pesquisa para definir as condições topográficas, geológicas, clima, e o mais importante, as entrevistas  com “os clientes/as comunidades” que serão contempladas para saber suas reais necessidades e como será o uso futuro que farão das instalações.

            É bem sabido que o espaço projeto não é um retrato do espaço vivenciado. E eis aqui um dos grandes desafios da prática profissional do arquiteto, que encontra eco em uma das várias citações apresentadas no texto: “é somente na travessia da ponte que as margens surgem como margens” (Heidegger - Construir, Habitar, Pensar - 1954). Tal afirmação nos alerta que projetar é uma coisa e viver/habitar é outra completamente diferente e que em um projeto como o PREINFANCIA pode criar “surpresas” como a sala de informática que vira brinquedoteca, a área de amamentação que ganha balanços, o refeitório que perde sua utilidade frente a praticidade de se levar a merenda para o meio do pátio ou a inutilidade de uma caixa d´água que sofre a falta da matéria prima para preenchê-la.

            Para que projetos como o PREINFANCIA sejam realmente exitosos é preciso ter como premissa que a arquitetura é mais um processo do que um simples ato de projetar. Boas ideias são sempre bem-vindas, mas perdem sua utilidade quando a realidade se impõe. Em tempos onde buscamos a excelência que se passa, inclusive, pelo desenvolvimento sustentável, os arquitetos precisam talvez ser menos utópicos para que seus trabalhos não se tornem uma realidade imposta, pois é preciso respeitar as singularidades e ver que um projeto não termina quando sai do papel. Afinal, citando mais uma vez Heidegger para finalizar, “Não habitamos porque construímos, mas construímos porque habitamos”.





[1] Ministério da Educação

sábado, 4 de fevereiro de 2012



"O problema arquitetônico

é agora fazer com que

o engenheiro se complete com o arquiteto,

o técnico com o artista.”


Mário Pedrosa, 1946